O Que é o Tesouro Direto

O Tesouro Direto é o programa do Governo Federal que permite a qualquer pessoa comprar títulos públicos pela internet. Criado em 2002 pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3 (antiga BM&F Bovespa), o programa democratizou o acesso a um dos investimentos mais seguros do Brasil.

Na prática, ao comprar um título público, você está emprestando dinheiro ao governo brasileiro. Em troca, recebe o valor investido acrescido de juros na data de vencimento. É o mesmo mecanismo que bancos utilizam para financiar suas operações, mas com a garantia do Tesouro Nacional — a entidade com menor risco de crédito do país.

Em janeiro de 2026, o programa ultrapassou a marca de 2,8 milhões de investidores ativos, com estoque total superior a R$ 130 bilhões. O crescimento reflete a busca por alternativas à poupança, que historicamente perde para a inflação em diversos períodos.

Tipos de Títulos Disponíveis

O Tesouro Direto oferece três categorias principais de títulos, cada uma com características distintas de rentabilidade e risco.

Tesouro Selic (LFT)

O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros da economia. Em fevereiro de 2026, com a Selic em 14,25% ao ano, este título oferece rentabilidade diária proporcional a essa taxa. É o título mais conservador e indicado para reserva de emergência, pois tem liquidez diária sem risco de perda no resgate antecipado.

Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal)

Este título paga uma taxa prefixada acrescida da variação do IPCA (inflação oficial). Por exemplo, um Tesouro IPCA+ 2035 pode oferecer IPCA + 6,80% ao ano. A grande vantagem é a proteção contra a inflação: seu poder de compra é preservado independentemente do cenário econômico. Porém, se resgatado antes do vencimento, o valor pode oscilar — para mais ou para menos.

Tesouro Prefixado (LTN)

No Tesouro Prefixado, a rentabilidade é definida no momento da compra. Se o título oferece 14,50% ao ano, você sabe exatamente quanto receberá no vencimento. É indicado quando se acredita que os juros vão cair, pois o investidor trava uma taxa alta. Assim como o IPCA+, pode sofrer marcação a mercado se resgatado antes do prazo.

Tabela Comparativa dos Títulos

CaracterísticaTesouro SelicTesouro IPCA+Tesouro Prefixado
RentabilidadeSelic (14,25% a.a.)IPCA + taxa fixaTaxa fixa definida na compra
Proteção contra inflaçãoParcialTotalNenhuma
Risco no resgate antecipadoMuito baixoModerado a altoModerado a alto
Indicado paraReserva de emergênciaAposentadoria, longo prazoCenário de queda de juros
Investimento mínimo~R$ 150~R$ 35~R$ 30
Vencimentos disponíveis2027 a 20292029 a 20552027 a 2033
Pagamento de cuponsNãoOpcional (NTN-B com juros semestrais)Opcional (NTN-F)

Passo a Passo Para Investir

Investir no Tesouro Direto é um processo simples que pode ser concluído em menos de uma hora.

1. Abra conta em uma corretora habilitada

Escolha uma corretora com taxa zero para Tesouro Direto. As principais opções incluem Nu Invest, XP, Rico, BTG Pactual Digital e Inter. A abertura de conta é gratuita e feita inteiramente online.

2. Faça o cadastro no site do Tesouro Direto

Após abrir a conta na corretora, o cadastro no Tesouro Direto é automático na maioria dos casos. Você receberá uma senha provisória por e-mail para acessar o portal do investidor.

3. Transfira o dinheiro para a corretora

Envie o valor desejado via TED ou Pix para a conta da corretora. Não há valor mínimo para transferência — o investimento mínimo no Tesouro Direto é de aproximadamente R$ 30, correspondente a uma fração de título.

4. Escolha o título adequado ao seu objetivo

  • Curto prazo ou reserva de emergência: Tesouro Selic
  • Aposentadoria ou objetivos de longo prazo: Tesouro IPCA+
  • Prazo definido e cenário de queda de juros: Tesouro Prefixado

5. Realize a compra

No home broker da corretora ou diretamente no portal do Tesouro Direto, selecione o título, informe o valor e confirme a operação. A liquidação ocorre em D+1 (um dia útil).

Tributação: Imposto de Renda Regressivo

O Tesouro Direto está sujeito à tabela regressiva do Imposto de Renda, que incide apenas sobre os rendimentos (não sobre o valor investido).

Prazo de aplicaçãoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20,0%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15,0%

Além do IR, há cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para resgates realizados nos primeiros 30 dias. A alíquota começa em 96% no primeiro dia e reduz gradualmente até zerar no 30o dia. Na prática, evitar resgates no primeiro mês elimina essa cobrança.

A B3 cobra uma taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre o valor investido acima de R$ 10.000. Investimentos de até R$ 10.000 em Tesouro Selic são isentos dessa taxa desde agosto de 2020.

Tesouro Direto vs Poupança

A comparação entre Tesouro Direto e poupança é inevitável, pois ambos são considerados investimentos conservadores. Porém, os números mostram uma diferença significativa ao longo do tempo.

CritérioTesouro SelicPoupança
Rentabilidade bruta (2025)~13,75% a.a.~7,57% a.a.
Rentabilidade líquida (após IR)~11,69% a.a. (alíquota de 15%)~7,57% a.a. (isenta)
GarantiaTesouro NacionalFGC (R$ 250 mil)
LiquidezD+1Imediata (perde rendimento no mês)
Proteção contra inflaçãoSim (Tesouro IPCA+)Parcial
Investimento mínimo~R$ 30R$ 1

Mesmo após descontar o Imposto de Renda, o Tesouro Selic rende significativamente mais que a poupança. Com a Selic em 14,25%, a diferença é de mais de 4 pontos percentuais ao ano. Em uma aplicação de R$ 50.000 por cinco anos, isso representa uma diferença de aproximadamente R$ 15.000 em rendimentos líquidos.

Se você busca entender melhor as alternativas de renda fixa além do Tesouro Direto, confira nosso artigo sobre CDB, LCI e LCA — diferenças e rentabilidade.

Riscos e Cuidados

Embora o Tesouro Direto seja considerado o investimento mais seguro do Brasil, existem riscos que o investidor deve conhecer.

  • Risco de mercado (marcação a mercado): Tesouro IPCA+ e Prefixado podem apresentar rentabilidade negativa se resgatados antes do vencimento em cenários de alta de juros. Quem mantém até o vencimento recebe exatamente o combinado.
  • Risco de liquidez: Apesar da liquidez diária garantida pelo Tesouro Nacional, o resgate leva D+1 para cair na conta da corretora. Não é instantâneo como a poupança.
  • Risco soberano: É o risco de o governo federal não honrar seus compromissos. Historicamente, o Brasil nunca deu calote em títulos públicos denominados em reais, mas o risco teórico existe.
  • Inflação superior ao esperado: No caso do Tesouro Prefixado, se a inflação superar a taxa contratada, o investidor pode ter rendimento real negativo.

Estratégias Para Diferentes Perfis

Para quem está começando com pouco dinheiro, o Tesouro Direto é uma porta de entrada acessível. Veja nosso guia completo sobre como começar a investir com pouco dinheiro para montar sua primeira carteira.

Perfil conservador: Concentre-se no Tesouro Selic para reserva de emergência e Tesouro IPCA+ para objetivos de longo prazo. Essa combinação oferece segurança e proteção contra a inflação.

Perfil moderado: Adicione uma parcela de Tesouro Prefixado quando as taxas estiverem historicamente elevadas. Em fevereiro de 2026, com prefixados oferecendo acima de 14% ao ano, há uma janela interessante para quem acredita na queda futura dos juros.

Perfil arrojado: Use o Tesouro Direto como base da carteira (30-40%) e complemente com renda variável. Os títulos IPCA+ de longo prazo (2045, 2055) podem gerar ganhos expressivos com a marcação a mercado em cenários de queda de juros.

Erros Comuns ao Investir no Tesouro Direto

Iniciantes frequentemente cometem equívocos que prejudicam seus resultados. Os mais recorrentes incluem:

  • Resgatar Tesouro IPCA+ ou Prefixado antes do vencimento em momento desfavorável, realizando prejuízo que não existiria se mantivesse até a data final
  • Ignorar a tabela regressiva de IR, fazendo resgates antes de 720 dias e pagando alíquotas mais altas
  • Concentrar tudo em um único tipo de título, sem diversificar entre Selic, IPCA+ e Prefixado
  • Comparar rentabilidade bruta com a poupança, esquecendo que a poupança é isenta de IR
  • Não reinvestir os rendimentos, perdendo o efeito dos juros compostos ao longo do tempo

Perguntas Frequentes

Qual o investimento mínimo no Tesouro Direto?

O investimento mínimo é de 1% do valor de um título, o que equivale a aproximadamente R$ 30 a R$ 150 dependendo do título escolhido. O Tesouro Prefixado costuma ter a fração mais acessível, enquanto o Tesouro Selic exige um valor inicial um pouco maior por conta do preço unitário do título.

Posso perder dinheiro no Tesouro Direto?

Se você mantiver o título até o vencimento, receberá exatamente a rentabilidade contratada. O risco de perda existe apenas no resgate antecipado de Tesouro IPCA+ e Prefixado devido à marcação a mercado. O Tesouro Selic praticamente não apresenta esse risco, sendo considerado o título mais seguro do programa.

O Tesouro Direto tem garantia do FGC?

Não. O Tesouro Direto é garantido pelo Tesouro Nacional, o que na prática oferece uma garantia superior ao FGC. O Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por CPF por instituição, enquanto a garantia do governo federal é integral, independentemente do valor investido.

Quanto rende R$ 10.000 no Tesouro Selic por mês?

Com a Selic em 14,25% ao ano, o rendimento bruto mensal é de aproximadamente R$ 111. Após descontar o IR (considerando alíquota de 15% para aplicações acima de 720 dias), o rendimento líquido fica em torno de R$ 94 por mês. Na poupança, o mesmo valor renderia cerca de R$ 59 mensais.